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sábado, 1 de outubro de 2011

Seria possível recriar um dinossauro?

 
 Paleontólogo Jack Horner
© Joe Pugliese

O paleontólogo Jack Horner quer recriar um dinossauro a partir do DNA da galinha. A intenção é fazer a evolução reversa, ou seja, fazer ressurgir traços genéticos dos ancestrais nos animais modernos. Nas últimas décadas, paleontologistas – incluindo Horner – têm encontrado uma ampla evidência para provar que os pássaros modernos são descendentes de dinossauros – há semelhança desde o jeito com que colocam os ovos nos ninhos até detalhes da anatomia dos ossos. Há similaridades entre os pássaros atuais e os ancestrais carnívoros de duas patas, como Tiranossauro Rex e Velociraptor. O que Horner quer é trazer à tona essas semelhanças em um processo chamado atavismo, ou seja, a reaparição de características vindas de um antepassado que não havia se manifestado nas gerações intermediárias. Um exemplo disso seria um bebê humano que nasce com mamilo extra ou, muito raramente, com uma cauda. Como é um fenômeno raro, a proposta de Horner é criar atavismos experimentais em laboratório. Desse modo, ele ativaria o máximo possível de características ancestrais de uma galinha até chegar próximo de um dinossauro. Essa ideia foi exposta pelo cientista recentemente na TED Conference, encontro anual de tecnologia, entretenimento e design que acontece na Califórnia (EUA). 
Cena do filme Jurassic Park mostrando o nascimento de um Velociraptor
© Jurassic Park movie
 
“É uma loucura”, declarou Horner na ocasião. “Mas ainda assim é possível”, disse. Em entrevista à revista Wired, o paleontólogo e cientista deu detalhes de sua tese. Segundo Horner, pesquisas já descobriram pistas instigantes que apontam que algumas características de dinossauros podem ser reativadas. Não se trata de reproduzir a ideia do filme Jurassic Park, de Steven Spielberg. No filme, o cientista Michael Crichton usa DNA de dinossauros, preservados no fóssil de insetos sugadores de sangue, para reproduzir o animal pré-histórico. Horner, inclusive, foi um dos consultores do filme e, após analisar essa ideia, descartou a possibilidade de clonagem. Ele concluiu que o DNA se rompe muito rápido, mesmo que o fóssil esteja bem conservado. Então Horner foi buscar na biologia que estuda a evolução uma forma de recriar dinossauros. Para desenvolver a tese de que é possível criar dinossauros a partir da galinha, Horner tomou como base um livro de biologia da década de 80 chamada “Endless Forms Most Beautiful”, do biólogo Sean Carrol. O livro ajudou a lançar as bases para o campo da biologia evolutiva, que se concentra em descobrir os mecanismos moleculares da evolução. É fato que os seres vivos mudam ao longo das gerações, segundo a aleatória mutação genética e os efeitos do meio ambiente. Porém, os biólogos queriam determinar, exatamente, o que ocasiona essas mudanças.
© Rárisson Jardiel

Usando moscas de frutas, o estudo separou um grupo de genes que controla a forma como se estrutura o corpo da mosca, chamado Hox. Surpreendemente, estes genes são encontrados em tudo, desde vermes até humanos. Esses genes são a chaves que regulam o desenvolvimento. Ou seja, eles controlam o momento em que uma parte do corpo vai se estruturar. Por exemplo, determinam a arquitetura de seis patas de um inseto ou as barbatanas de um peixe. Com isso, foi possível concluir que formas diferentes do corpo não são resultados de genes diferentes, mas de usos diferentes durante o desenvolvimento. Assim, fazer um ovo de galinha chocar um dinossauro bebê pode ser apenas uma questão de apagar o que a evolução tem feito para a tornar uma galinha.

Fontes:

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