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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Encontrada nova espécie de tartaruga Jurássica

selenemys lusitanica

A mais antiga tartaruga de água doce conhecida até agora foi descoberta na Praia da Santa Rita, Torres Vedras. A equipe da Associação Leonel Trindade (ALT) - Sociedade de História Natural achou a Selenemys lusitanica durante a escavação paleontológica de um dinossauro, em 2003. As análises realizadas aos fósseis pelo Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da ALT, pela Universidade Complutense de Madrid e pela UNED (Universidade Nacional de Educação à Distância espanhola) estão agora publicados na revista «Journal of Vertebrate Paleontology». Fica então definida uma nova espécie que viveu no final do Kimmeridgiano (há 145 Milhões de anos).

A Selenemys lusitanica trata-se de um pleurosternídeo, faz parte do grupo de quelônios de água doce que viveu na América do Norte e Europa entre 165 e 60 milhões de anos. O registo europeu deste grupo de tartarugas era, até agora, muito limitado. Durante o Mesozóico, a distribuição das tartarugas era diferente da dos dinossauros, “provavelmente devido a barreiras que restringiam a dispersão dos mais pequenos representantes das associações faunísticas”, diz a ALT em comunicado. Torna-se assim importante o estudo destes animais pois são bons indicadores de descontinuidades geográficas. No Jurássico Superior, deu-se a separação entre a Europa e a América do Norte com a abertura do Atlântico Norte. Devido à sua localização privilegiada, a região agora centro-oeste de Portugal é uma das áreas europeias que mais informações estão a proporcionar sobre as faunas que viveram durante aquela época. 
 parte de baixo da carapaça da tartaruga (ventre)

Os pleurosternídeos existiam tanto na América do Norte como na Europa. O estudo dos representantes conhecidos permite obter novas pistas para entender como eram as relações faunísticas em ambos os lados do recém-gerado Oceano Atlântico. Deste estudo deduz-se que “o género Selenemys era mais aparentado com outros taxa europeus que com as formas contemporâneas americanas. Esta evolução separada nos dois continentes, gerando espécies próprias, contrasta com a descrita para outros grupos de vertebrados, especialmente dinossauros”, explicam os cientistas. Os investigadores pensam que isto terá acontecido devido à limitada capacidade de dispersão das tartarugas.


Fontes: Ciência Hoje

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