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Esse é o seu espaço para discutir e opinar sobre temas da paleontologia. Sinta-se livre para comentar.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Deinocheirus, uma verdade inconveniente

Nova concepção do Deinocheirus
© Michael Skrepnick

Não, não iremos falar do aquecimento global. Na verdade essa "verdade inconveniente" trata-se de mais uma incrível descoberta, mais um mistério solucionado. Podemos dizer que 2014 está sendo um ano excelente para a paleontologia, e também muito BIZARRO! Ninguém esperava um Espinossauro "semi-jacaré", como nos foi mostrado há algumas semanas. E agora, mais uma vez os achados nos surpreenderam, e nos revelaram outro animal bem esquisito. Até então tudo o que tínhamos eram dois longos braços com garras enormes, o que levou os cientistas a pensarem que fosse um enorme carnívoro, ou outro ser temível... Fachada!

Braços de Deinocheirus, únicos achados que se tinham até então.
© Eduard Solà

O Deinocheirus foi descrito inicialmente em 1965, e seu nome significa "mãos terríveis com aparência peculiar". Não tinha ao certo como saber se ele realmente pertencia aos Ornitomimossauros, pois os únicos indícios que se tinham eram os enormes braços - característicos desse grupo. No entanto os membros mediam cerca de 2,4 m, o que era muito para os espécimes encontrados até então. Ficou a dúvida. Que ser é este, afinal? No final de outubro novos estudos foram realizados, logo após encontrarem um esqueleto completo na Mongólia, e o animal foi reavaliado, tendo sua nova descrição publicada em um artigo na revista "Nature".

Reconstrução do Deinocheirus mirificus
© Yuong-Nam Lee (KIGAM)

Com quase 5 metros de altura, 11 metros de comprimento, e pesando cerca de 7 toneladas, o Deinocheirus é o maior membro conhecido do grupo dos Ornitomimossauros. Possuía quadris largos, além de uma estrutura parecida com uma corcunda em suas costas. A criatura ficava de pé sobre as patas traseiras, e sua estrutura óssea mostra que ele se movimentava lentamente; seus longos braços tinham garras afiadas e a cauda era coberta de penas. E isso não é tudo. Para completar, a sua cabeça era pontuda e ele tinha uma espécie de bico com nenhum dente, e uma língua enorme que criava um mecanismo de sucção para aspirar a comida no fundo dos pântanos e lagos. É mole?! De acordo com os cientistas, ele habitava pântanos e seu bico deveria ajudá-lo na busca por alimentos no fundo da água, enquanto ossos achatados sob suas garras impedia que afundasse no lodo. Restos de peixes foram encontrados no que parece ter sido o estômago do bicho, assim como outras características associadas ao consumo de plantas, indicando que ele era, provavelmente, onívoro.

Veja no vídeo abaixo como o Deinocheirus caminhava
© UniversityOfAlberta/YouTube

Juntando todas essas peças nós temos um animal que os próprios autores taxam assim: "O Deinocheirus tornou-se um dos dinossauros mais esquisitos descobertos, além da nossa imaginação", disse o autor do estudo Yuong-Nam Lee. Outro participante da pesquisa falou que a evolução nem sempre é como nós esperamos. Mas com toda a sua esquisitisse, o Deinocheirus é, sem dúvida, um achado fascinante e que merece todos os olhares para nos mostrar o quanto a paleontologia, e o mundo mesozóico têm a nos oferecer.

Fontes:

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A verdade sobre o Espinossauro

Nova concepção do Espinossauro
© Davide Bonadonna

Para alguns, como eu, essa verdade foi um tanto dolorosa, e instigante também. Parece que o maior predador conhecido que já caminhou pela Terra ganhou um novo título; o predador mais estranho que já caminhou pela Terra. Graças aos estudos de uma equipe de paleontólogos no Marrocos, um velho e "incompleto" mistério foi solucionado. Restos fósseis do Spinosaurus aegyptiacus revelaram que o imponente animal possuía menos da metade da sua altura antes estimada, e o mais surpreendente; ele era adaptado para uma vida semi-aquática!
© Davide Bonadonna

Parte dos primeiros fósseis encontrados do Espinossauro foram destruídos quando ocorreu um bombardeio britânico ao Museu da cidade de Munique, na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial; até então estas eram as únicas informações que se tinham sobre esse dinossauro, e estas não foram muito significativas para o entendimento da nova espécie, tudo o que se tinha era apenas alguns fragmentos do crânio, da cauda e das sua singular espinha dorsal, informações estas que foram complementadas com achados posteriores, que não forneciam nenhuma pista sobre os seus membros. Fazendo uma analogia à outras espécies semelhantes, especulou-se que ele fosse um terópode tão grande, ou até mesmo maior, que o conhecido Tyranosaurus Rex. Isso tudo mudou quando um caçador de fósseis desenterrou um esqueleto parcial do dinossauro, no Marrocos, em 2008. Esses fósseis combinados com outros achados espalhados pelos museus possibilitaram uma reconstrução precisa.
Reconstrução do esqueleto do Espinossauro
© Mike Hettwer/ National Geographic

Contudo, essa nova visão nos mostrou um fato incrível e completamente novo na paleontologia. "O animal é diferente de qualquer outro dinossauro predador. [...] É estar olhando para uma espécie completamente nova de animal", disse Nizar Ibrahim, um dos paleontólogos que conduziram a pesquisa. Com membros relativamente curtos, cauda flexível, patas traseiras planas que o possibilitava "remar" pelas águas, e narinas na metade do focinho que o permitia respirar enquanto o seu corpo e parte da sua cabeça estavam submersos, tudo aponta que, com essas adaptações, o animal podia ter passado a maior parte do tempo na água se alimentando de tubarões, grandes peixes e alguns crocodilianos da época. Em terra ele se locomovia de forma quadrúpede, erguendo sua imensa vela composta por espinhos ósseos. Com essa anatomia o Espinossauro pode não ter sido tão imponente em terra firme, mas, com certeza ele dominou as águas do norte africano há 95 milhões de anos atrás. Particularmente, para mim, apesar do pesares, ele ainda continua fantástico, mesmo com toda essa mudança drástica. Creio que essa reviravolta vai trazer alguns benefícios e também novos desafios para a paleontologia, como enfatizou Ibrahim dizendo: "Ele vai forçar especialistas em dinossauros a repensar muitas coisas que eles achavam que sabiam sobre dinossauros".

Fontes:

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Ser paleontólogo no Brasil

© Bali Blue

Confira essa matéria especial, feita pelo Globo Universidade, mostrando como é o trabalho dos paleontólogos e quão maravilhoso é estudar essa ciência que nos cativa desde pequenos.


Fontes:

terça-feira, 24 de junho de 2014

Nova descoberta de pterossauro impressiona paleontólogos

Casal de  Hamipterus
© Maurílio Oliveira

Na coluna "Caçadores de fósseis" do mês de Junho, Alexander Kellner nos trás um achado incrível que promete dar uma guinada nos estudos sobre Pterossauros. A descoberta do Hamipterus tianshanensis veio repleta de surpresas que deixaram paleontólogos de todo o mundo boquiabertos. Em uma única rocha vieram 3 crânios de uma mesma espécie, além de vários ossos, algo que era inédito até então na paleontologia. O material foi coletado na província de Xinjiang na China pelo pesquisador Xiaolin Wang. 
Ovo fossilizado
© Xiaolin Wang

As surpresas não pararam por aí. Devido a quantidade de indivíduos que foram encontrados, sugeriram que ali poderia ter sido um berçário, apontando a possibilidade da existência de ovos. O resultado foi melhor do que o esperado, após algum tempo de escavações os paleontólogos se depararam com um ovo muito bem preservado em suas três dimensões (3D), algo extremamente raro, o que possibilitou um estudo mais detalhado de sua estrutura.
Colônia de Hamipterus
© Chuang Zhao

A análise desses fósseis mostrou ainda um possível dimorfismo sexual entre as espécies, apresentando formas diferentes nas cristas do Hamipterus, o que provavelmente indicava a existência e diferenciação entre machos e fêmeas. Com toda certeza essa descoberta foi um grande avanço que dará novos horizontes aos pesquisadores que se dedicam ao estudo dos Pterossauros.

Confira os detalhes do achado na matéria completa do Kellner em sua coluna de Junho. Clique aqui para acessar "Caçadores de fósseis".

Fontes: